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Uma carta

Parece que perdi o jeito sonhador de ver a vida, de caminhar entre os sonhos, os projetos… Como se eu não pudesse viver intensamente os momentos. Por isso, me escondi. Talvez encontrasse dentro de mim e dos meus afazeres alguma coisa que espantasse a dor que passei a sentir – e a saudade eterna.

Fecho os olhos e fico a lembrar dos nossos passeios da minha infância pela vizinhança: tios, primos, amigos, jogo de futebol de domingo, caminhada nas noites de verão, passeios ciclísticos pelo bairros, histórias contadas antes de dormir… Momentos que construíram e fazem toda a diferença no que eu fui, sou e serei.

Ensinamentos de berço. Idéias opostas, mas defendidas com unhas e dentes. Cada um a sua maneira, cada um em seu ambiente, mas juntos, sempre.

A saudade que se alastra é cada dia maior, nos menores momentos. Saudades do suco de limão, de você me chamando de Preta, de você dizendo seus pensamentos neoliberais que muitas vezes ficavam no impassa das minhas causas sociais. Saudade dos risos, dos momentos dos filmes, dos abraços… saudade de muita coisa.

Te carrego sempre, em qualquer lugar. Um dia, nos encontraremos.

Com todo o meu amor pai,

Sua filha.

Saudade

Todo ano eu poderia fazer visitar a Salvador. Aquela terra emana energia positiva. Dos lugares às pessoas, absolutamente tudo transpira alegria. Não importa a programação: congressos, culturais, Lavagem das Escadarias do Senhor do Bonfim, shows no Pelourinho, pôr-do-sol no Farol da Barra, Acarajé da Dinha, festinhas particulares, praias como Buracão e Buraquinho ou formatura. Todos são risos e frescores…

Se eu pudesse descrever todos os meus bons momentos, teríamos um post imenso, talvez até rendesse os livros. Eles são inúmeros e com várias personagens… Sem contar as sensações, que preenchem cada pedaço da história, que colocam cores nesse filme quase ultrapassado chamado vida…

Mas agora, nesse momento, eu só sinto saudade. Saudade das mãos, dos braços e abraços, dos cheiros, dos beijos, das risadas, de todos juntos o tempo todo em qualquer lugar, dos encontros desencontrados, dos desencontrados achados, das danças, dos pensamentos, dos silêncios, das vozes, da harmonia e da paz… Serei obrigada a sentir isso somente uma vez ao ano?

Deliciosamente…

E eles estavam abraçados, apenas sentindo-se…

Das vezes que se imaginava perto dele não tinha nem idéia o quanto o contato de suas peles traria uma química maluca.  Entre mãos, beijos, respirações ofegantes e mãos hábeis, o coração dela disparava…

Deliciosamente bom ter conhecido…

Deliciosamente bom estar entre os braços…

Deliciosamente…

ps: E que 2009 seja repleto disso tudo… e muito mais!

Improváveis

Um reencontro surpresa

Não tinha notícias desde outubro. Quer dizer, pra falar bem a verdade, nunca teve notícias dele. Sempre que se encontravam era dentro do ambiente de trabalho. Não sabia absolutamente nada de sua vida.

Pensando bem, era isso que a encantava. O desconhecido, o mistério que o envolvia. Mentira, as mãos grandes, com dedos finos de pianista também a encantavam – assim como o sorriso de dentes grandes e brancos.  Como podem existir dessas coisas?

Mas, do nada, ele tinha cruzado novamente seu caminho. E foi uma surpresa e tanto encontrá-lo naquela noite. Mais surpresa ainda foi como ele a tinha reconhecido. Aliás, ela nem sabia como é que essa façanha havia ocorrido.

Tomou um susto. Por quase 30 segundos, se encararam e sorriram um para o outro. A multidão de pessoas e de conversas (dessa vez, uma multidão mesmo) desaparecera novamente como em um passe de mágica. Inacreditável a reação do reencontro.

Então, depois disso, trocaram mais uma meia dúzia de palavras, beijinhos no rosto  e ele passou – foi para um outro canto do bar. Nesse momento, suas peles se encontraram e ela pode sentir o aroma do seu perfume. Novamente, ficara sem reação. Queria de algum jeito eternizar o momento.

Depois, a menina voltou para a realidade. Estava lá, exprimida entre milhares de rostos desconhecidos. Precisava tomar um ar, sentia-se sufocada. Precisava de um espaço para poder absover toda a intensidade que foi olhar de novo para aqueles “cabelos castanhos, lisos e sedosos combinam com seu rosto jovem, de no máximo 25 anos.”.

Ou melhor, precisa guardar para si aqueles olhos castanhos, nem grandes, nem pequenos,  brilhantes e curiosos que combinam com a boca de tom vermelho desbotado, e com sua pele branca e rosada, dando-lhe uma beleza refinada. Sentia-se bem roubando um pedacinho dele, mesmo que de forma simbólica.

Pensava, eufórica: Será que um dia conseguiriam se encontrar e conversar por mais que cinco minutos? A esperança ressurgiu em seus pensamentos…

ps: leiam o post de outubro “A expectativa do próximo encontro

Topless (I)

“(…)Alguém precisa acordar essa garotada e dizer que corajoso é aquele que é autêntico, que diz o que pensa, que vai contra a corrente se for preciso, e não aquele que embarca em qualquer onda, mesmo se borrando de medo. Quem vai ensinar isso para eles? Nós, o caretas.(…)”

(MEDEIROS, Martha. Topless. Jovens demais para morrer – p.73)

Sonhadora

Tão sonhadora que seus pensamentos são nuvens de algodão.

Se você ficar atento verá que conforme o olhar o formato muda.

Imaginação,

esse é o termo.

Desespero

Levantei da carteira, joguei a caneta na mala e entreguei duas folhas rabiscadas a mão para o professor. A última prova da faculdade (em tese). A pior também. Não consegui lembrar de alguma vez – em quatro anos de curso – dos meus olhos terem ficado cheio de lágrimas ao ler uma prova. A primeira vez – inesquecível (e traumatizante).

E olha que não foi por falta de esforço. Eu até tentei começar a ler, mas não ia dar conta. Nada mais, nada menos do que 19 textos (um mais difícil que o outro). Conceitos centrais? INÚMEROS. Não sabia nem contar, talvez nem conseguiria. Apelei para os papers e resumos do pessoal da sala – ao todo, mais de 50 páginas. Não adiantou. Nada do que pensei chegou a aparecer na prova. Tudo o que vi foram perguntas desconexas e coisas que malmente foram citadas – imagine discutidas.

Não tinha a quem recorrer. Aliás, ainda não tem. Talvez Deus me dê uma ajuda. Ia ficar de exame, certeza. Em quatro anos, um fato inédito. O mais próximo dessa situação foi em 2005 (lá, quando eu era uma reles caloura), fechei uma disciplina com sete. Eu não acreditava! Mas dessa vez… bem, essa vez não há duvidas.

O que me consola é que não fui eu somente que saí com aquela cara de “eeeeimmm” da sala. Teve gente, inclusive, que entregou a prova em branco. Uma coisa é verdade, foi uma filhadaputice master o que aconteceu. Só pra ressaltar, quem entregou a prova em brancou, tentou responder… mas não conseguiu fazer isso nem com o texto que ela e esquipe tinha apresentado. Foda.

Pra ajudar, o exame final, é dia 9 de dezembro. Um dia depois da minha banca. Sentiu a complicação? Tudo bem, eu sei tudo do meu TCC, mas mesmo assim, rola uma pressão psicológica, sabe? Família, amigos, avaliação mesmo das pessoas… Um monte. E ainda somos os últimos… pense que maravilha: enquanto rola a apresentação, nossas cabeças voam longe, longe… pro outro dia.

Há uma esperança (coitada, a última que morre e a primeira que ilude). Vai que na sexta-feira, dia 5, eu descubro que eu passei direto? Seria legal em? Mas é ilusão. Nada mais do que isso. Que coisa não?

O relógio (do computador)

Uau.

Começou a contagem regressiva. Eu olho para o relógio (do computador) e começo a contar as horas. Não, não tem absolutamente nada a ver com a estréia do 36º Festival Nacional do Teatro (FENATA). Lógico que estou curiosa para saber quem são as carinhas que vão aparecer por este ano, mas não é por isso que resolvi a contar o tempo.

Não sei se vocês perceberam, mas eu ando meio introspectiva nos últimos dias – de tão instrospectiva, cheguei a ficar maníaca-depressiva em alguns textos. E essa introspecção tem um nome. Conclusão de Curso. Isso mesmo, sem o trabalho na frente. Só o fato d’eu me formar tem me deixado em uma espécie de paranóia quase sem fim. Quase.

Ando é com medo de deixar essa vida mansa de estudante para trás. Sim, eu já tenho algumas responsabilidades, mas parece que ao se formar, você cresce. E não importa se eu passei quatro anos dentro de uma universidade me preparando justamente para esse momento. Tudo o que mais sinto vontade, nesse momento, é voltar a ser crianaça, ver as cores do meu arco-íris… Quero voltar no tempo em que a maior responsabilidade era tomar cuidado ao travessar a rua para ir na casa da vizinha.

Essa história de crescer cansa. E olha que eu nem sou mãe, noiva ou coisa do tipo. Assusta muito mas ao mesmo tempo é tentador saber como é morar sozinho (isso mesmo, para quem não sabe, a pessoa aqui ainda mora em casa de papai e de mamãe. Nunca fiquei mais de um mês sozinha…), como é ter suas contas para pagar (óquei, esse eu sei!), como é ter “compromissos profissionais”, como é ter mais do que horário para fechar as coisas, como é trabalhar com o que se gosta (ah, esse eu também sei como é…).

Vejo o tempo passar de uma maneira espantosa. E eu vou deixando, aos poucos, esse mundo que eu vivo. É a tal fase da transição… Vou vendo meus interesses mudarem, meus gostos musicais tomarem outro rumo e meus amigos fazendo atividades que antes eles juravam não fazer nem por decreto (e o mesmo vale pra mim).

Alguns dos meus sonhos têm sido atropelados, outros têm chegado de forma deliciosa e inesperada… Enquanto isso, o relógio (do computador) vai deixando vários minutos e horas para trás… Em um piscar de olhos, as coisas se transformam… E em um piscar de olhos, a menina travessa, virou mulher.

ps: desculpem-me os erros. Não revisei. E que vá assim! ;)

Uma transa

Inspira. Expira. Inspira. Expira. Beijo, movimento.

Inspira. Expira. Inspira. Expira. Carícia, movimento.

Inspira. Expira. Inspira. Expira. Suor, movimento.

Inspira. Expira. Inspira. Expira. Gozo, movimento.

Gozo, movimento. Gozo, movimento.

Movimento. Movimento. Movimento. Gozo.

Suspiro

 

obs: ouvi na novela – “quando a gente gosta, a gente gosta do cheiro”.

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