Parece que perdi o jeito sonhador de ver a vida, de caminhar entre os sonhos, os projetos… Como se eu não pudesse viver intensamente os momentos. Por isso, me escondi. Talvez encontrasse dentro de mim e dos meus afazeres alguma coisa que espantasse a dor que passei a sentir – e a saudade eterna.
Fecho os olhos e fico a lembrar dos nossos passeios da minha infância pela vizinhança: tios, primos, amigos, jogo de futebol de domingo, caminhada nas noites de verão, passeios ciclísticos pelo bairros, histórias contadas antes de dormir… Momentos que construíram e fazem toda a diferença no que eu fui, sou e serei.
Ensinamentos de berço. Idéias opostas, mas defendidas com unhas e dentes. Cada um a sua maneira, cada um em seu ambiente, mas juntos, sempre.
A saudade que se alastra é cada dia maior, nos menores momentos. Saudades do suco de limão, de você me chamando de Preta, de você dizendo seus pensamentos neoliberais que muitas vezes ficavam no impassa das minhas causas sociais. Saudade dos risos, dos momentos dos filmes, dos abraços… saudade de muita coisa.
Te carrego sempre, em qualquer lugar. Um dia, nos encontraremos.
Com todo o meu amor pai,
Sua filha.