Exagerada. No jeito de falar (e no tanto de falar), no jeito de contar e também no jeito de sentir. Preocupada, em excesso, sempre. Super protetora em qualquer ocasião – mesmo quando a filha não tem razão de coisíssima nenhuma. Amorosa, fato inegável, mas também nervosa (e de tão nervosa faz tempestade em copo d’água).
Quem não convive, quer levar pra casa. Quase que a garota que a chama de mãe deixa. Quase. Já se acostumou com o fato de que é impossível deixar de tê-la ao lado, mesmo discordando na maior parte das coisas. A convivência entre elas já chegou ao limite do tolerável, porém, o tempo, as artimanhas (como se fingir de surda) e a distância ajudaram muito na melhora desse relacionamento.
Com um metro e meio de altura, essa baixinha (como o marido a chamava) bota o mundo pra quebrar e faz coisas que até Deus duvida. Fuça aqui, fuça ali e sempre dá um jeito de conseguir o que quer – com muita cara de pau e coragem. Nem sempre o jeito que escolhe é o melhor, mas ela com certeza faz o melhor que pode.
Sempre teve cabelos escuros e curtos. Mentira, uma vez deixou crescer até um pouco do ombro só para poder fazer aqueles penteados anos 60/70 e ser pintada num quadro. Até onde me consta teve dois namorados sérios e o mais estranho é que os dois tinham o mesmo nome (e olha que o nome não é nada comum). Casou com o último depois de seis anos de namoro e um de noivado (e nesse meio tempo brigaram de romper uma vez quando o tal moço quase passou com o carro em cima do pé dela). A história dos dois fica para outra hora.
O fato é que depois de seis anos, a pequena deles nasceu. Maternidade tardia, com 40 anos e por isso mesmo, com o passar do tempo, o relacionamento com a filha era sempre conflituoso. Duas gerações, muitas novidades, nem sempre dá para acompanhar ou concordar, convenhamos. Mas nisso tudo, um trauma apenas: ela impedira a filha de escrever com a mão esquerda, não prestava diziam as superstições. O marido não concordava, mas não pode naquele momento fazer nada.
Atualmente, viúva, mora com a cachorra, em Ponta Grossa, dentro do apartamento onde viveu 28 anos com o amor da sua vida e 22 do fruto entre eles. Impossível de imaginar ela morando em outra casa e até mesmo em outra cidade. Seu canto é ali.
Com 63 anos de vida completados no dia de hoje, só se pode desejar parabéns e felicidades a ela, minha mãe, dona Lucia, que apesar de todas as nossas desavenças e encrencas, é a minha família. Sempre, sempre. Obrigada Deus, por ter me dado o dom da vida pelo ventre dela e obrigada mãe, por tudo, tudo, tudo, especialmente por existir. Raramente digo isso, mas é preciso (e sabemos bem o motivo): Te amo!



Há um ano, todos entregávamos o nosso TCC. De uma maneira ou de outra. Saudade disso tudo! =)
