Num belo dia, ele veio conversar comigo no MSN. Eu não fazia a mínima idéia de como ele tinha aparecido na minha lista de endereços, mas enfim. A conversa foi legal, ele era divertido. Me prometeu um livro depois de -provavelmente – a gente discutir sobre literatura. Eu só precisava convida-lo pro meu aniversário. Não aconteceu e perdemos o contato por um bom tempo.
Num belo dia, ele voltou a conversar comigo e foi como se não tivesse passado uma semana do tempo, embora a minha situação amorosa apresentasse um quadro totalmente diferente. Banquei a consultora sentimental dele, mas sempre escondia o que eu mesma sentia. O tempo passava, e o gosto de conversar com ele também. Porém, perdemos novamente o contato, por inúmeras correrias (e eu, sei lá porque achava que ele era de Curitiba, acho que é porque ele me falou da menina de lá). Senti falta dele, das conversas, de como a gente se relacionava. Era uma sintonia inexplicável, desde então. E aí, finalmente, voltamos a conversar.
Num belo dia, percebi que havia ganhado um amigo. E eu pouco lá me importava que nunca tivesse cruzado com ele na vida, a não ser nas ondas cibernéticas. Ele, estranhamente, fazia com que eu soubesse que poderia contar com ele, para todos os momentos. Amigos-irmãos? Eu arriscaria além, almas gêmeas, tampa da panela ou metade da laranja. É… acredito que sejamos isso mesmo.
Num belo dia, marcamos de nos encontrar para ele (finalmente) me dar o livro. Mas eu já comecei mal, chegando quase meia hora atrasada (mas eu avisei do atrasado!). Quieto, só me observava. “Seus olhos parecem de rapina”, disse. E até hoje, quando ele olha de cantinho, tenho essa impressão. Mas eu gosto. Naquela mesma tarde, ele me fez caminhar longamente, numa tarde encalorada – e confesso, que nem me importei. A companhia era ótima e embora eu falasse (bem) mais do que ele, o passeio foi adorável. No banco onde terminamos nossa caminhada, senti uma sensação esquisita, um frio na barriga. As anteninhas haviam sido ligadas.
Num belo dia (ou numa bela noite), saímos. Provavelmente teríamos ficado se não tivessem acontecido incidentes (com outras pessoas) no meio do caminho. Mas lembro da companhia. E assim aconteceram todas as vezes que saímos, o carinho aumentava, o desejo de estar junto, beijar e abraçar também, mas não havia como porque a nossa amizade era imensa. O nosso medo de arriscar era grande.
Num belo dia, ele esteve comigo no dia mais doloroso da minha vida. Desde a chegada dele no ambiente, não desgrudamos um minuto e tudo que eu queria era ficar ali, ao lado dele. Não há palavras que possam traduzir a imensa gratidão por aquele dia, inesquecível.
Num belo dia, os apelidos carinhosos surgiram. Assim como as cantadas, as indiretas e as diretas mesmo. Era nossa forma de expressar o que sentíamos, de expor a nossa alma, de deixar evidente algo que todos ao nosso redor tinham percebido – enquanto nos fazíamos de desentendidos e morríamos de ciúme um do outro. Mas o medo persistia e fazia que nós nos avaliássemos, que tivéssemos certos do que queríamos. Ele havia me conquistado, eu queria estar perto daqueles olhos, queria estar junto dele.
Num belo dia, jogamos tudo pelos ares. O beijo aconteceu e foi lindo. Todo nosso amor, carinho e compreensão foram colocados nele. Confirmamos a paixão e o desejo, que existia antes, bem antes. E ele se fez absolutamente necessário no meu dia-dia, que tem sido melhores desde sua chegada. Eu o amo e ele me faz bem.
Num belo dia, fizemos o amor. Inesquecível. Ainda posso sentir a moleza do meu corpo, de lembrar o sorriso da minha cara. A nossa conexão estava mais do que estabelecida, tínhamos cumplicidade, amor, carinho, companheirismo. E por isso que o medo era tão grande, por isso existia o medo de arriscar. Um amor para a vida que se seguia. Um amor para toda a vida que se segue.
Num belo dia, paramos de afirmar que éramos só amigos coloridos. Que o que estava dentro de nós, era amor. Depois das coisas que vivi e do que experimentei ao lado dele, não vejo pessoa mais certa do que ele para passar o resto dos meus dias. Consigo nos ver em nossa casa, com os filhos e mais além netos. Como se nunca houvesse existido outra pessoa.
Num belo dia, resolvi fazer a minha versão da nossa história e contar que o nome desse garoto tão adorável é André, que por vezes chamo de Deh, Muôr ou Broto, mas que no meu íntimo chamo-o de “amor da minha vida”.
( Num belo dia – por ele – em: http://pontosaponderar.blogspot.com)

De olhos fechados, deitada no sofá de casa, ela escutou o piar dos pássaros. Sorriu. Não pode deixar de perceber que aquele som era o da sua alma. Uma melodia incessante e que não a deixava nunca desde que eles se conheceram…

Naturalmente poética. Não, não. Isso não quer dizer que ela saiba fazer rimas, versos ou poesias. Até gosta de alguns autores como Fernando Pessoa (e suas 16 personalidades), Cecília Meireles, Vinícius de Morais, Tom Jobim, Florbella Espanca, mas apenas aprecia. Mas é até melhor que não entenda muito dessas coisas porque só assim consegue ser ela mesma, poesia, do princípio ao fim.